GESTÃO DA NCG
A Gestão Financeira corporativa consiste em harmonizar os ingressos e desembolsos de caixa de curto prazo, evitando um hiato negativo entre ambos os movimentos financeiros que não consiga ser financiado, determinando, dessa forma, a falta de liquidez, que é justamente a capacidade da empresa de saldar compromissos. Uma análise financeira bem elaborada é, por conseguinte, de fundamental importância para a avaliação da eficiência dessa gestão financeira numa determinada organização.
Para que isso seja possível, inicialmente, é importante que se divida os ingressos e os desembolsos de caixa em dois grupos distintos, sendo o primeiro representado pelos fluxos financeiros ligados à atividade operacional ou cíclica – associados ao ciclo operacional ou de produção da empresa, que constitui o seu objetivo fim – e o segundo, contendo fluxos financeiros não ligados à atividade operacional ou cíclica – ou aqueles que visam harmonizar os desequilíbrios do fluxo de caixa operacional e do fluxo de investimentos.
Esta divisão, por seu turno, é também bastante importante para que se possa compreender a existência de dois ciclos bem claros nas organizações: o Ciclo Operacional, que se inicia com a compra dos insumos para a produção de bens ou serviços e se encerra com a venda ou entrega do que foi produzido; e o Ciclo Financeiro, que se inicia com o pagamento dos insumos comprados e se encerra com o recebimento pela venda do que foi produzido.
O saldo das contas cíclicas supracitadas indica o volume de recursos alocados ao ciclo operacional. Assim, os recursos líquidos atados à operação (ciclo operacional) são denominados de Necessidade de Capital de Giro (NCG) e são calculados pelas seguintes expressões: i) NCG = Ativo Cíclico – Passivo cíclico ou; ii) NCG = Estoques + Clientes – Fornecedores. Ou seja, a necessidade de se aplicar recursos financeiros no curto-prazo é medida pelo volume de tais contas ou, mais especificamente, pelos prazos médios que estão associados a estas contas cíclicas do Balanço Patrimonial, a saber: o Prazo Médio de Recebimento de Clientes (PMR), o Prazo Médio de Estocagem de Matéria-Prima e o Prazo Médio de Pagamentos de Fornecedores (PMP).
Quanto maior o prazo médio, maior será o saldo das contas cíclicas, ou seja, maior a necessidade de alocação de recursos na atividade operacional (NCG). Da mesma forma, quanto maior o nível de atividade, maior será o saldo das contas cíclicas. Assim, por exemplo, uma empresa que eleva o seu volume de vendas aumentará a sua aplicação na conta Clientes, mesmo que o prazo médio de recebimento se mantenha constante.
Como a alocação de recursos no ciclo operacional ou financeiro (NCG) tem um caráter permanente, ou seja, mantido o nível de atividade operacional, estes recursos não podem ser utilizados para liquidar compromissos, a questão fundamental é saber como financiar esta aplicação operacional, quer seja com fontes de curto prazo, quer seja com fontes de longo prazo. Não obstante a possível escolha, é mister observar que o uso de fontes de curto prazo, financiando aplicações de natureza permanente, tem implicações importantes sob o ponto de vista da liquidez, uma vez que tais recursos precisam ser recorrentemente renovados, o que nem sempre é possível.
Surge dessas argumentações a importância inequívoca de se aprimorar sempre a Gestão da NCG nas organizações.
